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A tirania do amor

Livro
30
Avaliação: 
2.75
Média: 2.75 (4 votos)
Data do debate: 
quinta-feira, 13 de Setembro de 2018 - 19:00
Número de páginas: 
176
Ano da primeira publicação: 
2018
Através da crise pessoal e profissional de um economista, Cristovão Tezza constrói um panorama atualíssimo do Brasil em tempos de Lava Jato.

Sozinho no carro, o economista Otavio Espinhosa toma uma decisão radical: abdicar do sexo. O que parece piada se revela uma profunda crise pessoal: um casamento falido, problemas com o filho, o fim de sua carreira acadêmica e a experiência de ter tentado enriquecer como guru de autoajuda. Também a carreira de Otavio parece estar em perigo: tudo indica que ele será demitido da empresa de investimentos onde trabalha. O leitor vai aos poucos destrinchando a investigação de um esquema no qual Otavio pode ou não estar envolvido, desenhando o panorama de um país em ruína. É a matemática – esta “arte sem afetação” – que impulsiona as digressões de A tirania do amor. Otávio, porém, logo perceberá que nem a racionalidade serve para domar a vida, nem ele mesmo é tão racional quanto gostaria de acreditar.

Trecho:

Diante do sinal vermelho, que contemplou abstraído como alguém sob uma curta hipnose, decidiu (e ao mesmo tempo imaginou as perguntas: Como assim? Você enlouqueceu?) abdicar de sua vida sexual. A ideia bateu opaca, sem ênfase, quase já um fato consumado à frente, como o brilho fixo do semáforo de pedestres, bonequinho imóvel: abdicar. No cansaço — não exatamente cansaço, esta coisa menor, localizável, passageira, ele pensou; é diferente agora, uma espécie de completo esgotamento — e mais o limbo da manhã, nesta névoa mental em que o dia pode se transformar em qualquer coisa, acrescido de uma vastíssima informação privilegiada (e ele imaginou o processo que se seguiria, a imagem de sua mulher fundindo-se com a de um executivo sênior com uma pilha de pastas à frente, a decisão foi tomada com base em uma informação privilegiada a que nenhum dos outros acionistas teve acesso — o que o senhor tem a dizer a respeito? A sua prova é escancaradamente ilegal).