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Publicado primeiramente em 1887 no formato de folhetim, A relíquia é uma das obras mais celebradas de Eça de Queiroz (1845-1900), um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa de todos os tempos. Este romance consiste nas memórias fictícias de um certo Teodorico Raposo, o protagonista da história. Órfão de pai e mãe, ele foi criado por Dona Patrocínio, uma tia beatíssima e solteirona. Desde pequeno, Teodorico aprende a arte do fingimento e da adulação, e passa a levar uma vida dupla: diante da tia, um beato temente a Deus; longe dela, um libertino que se entrega a uma existência dissoluta. Na expectativa de tornar-se herdeiro da rica senhora, aceita fazer uma viagem de romaria a Jerusalém, a Terra Santa, onde tem início a desgraça do nosso picaresco protagonista.

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Aléxis Zorbás é uma das personagens mais marcantes que a literatura já produziu. Tão forte sua presença que, para o grande público, Zorbás supera seu autor, Nikos Kazantzákis, o mais importante autor grego do sec. XX. Contribuiu para o mitificação da personagem a transposição para o cinema de Vida e Proezas de Aléxis Zorbás, com o nome de Zorba, o Grego (1964). Das raras obras em que o cinema se iguala à literatura, seu sucesso fez com que o livro fosse relançado mundo afora com o título do filme. Kazantzákis, morto em 1957, não chegou a ver a dimensão que seu Zorbás atingiria.

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Em Já podeis da pátria filhos, Ubaldo subverte a gramática tradicional para falar de pescadores exagerados, festas de debutantes, turistas assanhadas, meninos brincando de médico, políticos corruptos e amantes do futebol que não descartam uma ou outra safadeza para vencer uma partida.

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Uma história ainda pouco conhecida, contada pelas próprias personagens: as incríveis aventuras das soldadas soviéticas que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial.
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“Da França de 1873 ao Chile de 1973, da filoxera a Pinochet, o romancista narra a saga de uma família dividida entre duas culturas e duas línguas, e atingida por duas guerras mundiais. Mágico.”
Le Figaro

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Média: 3.00 (1 voto)

Tudo é rio é o livro de estreia de Carla Madeira. Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.

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Média: 4.00 (1 voto)
Romance histórico sobre a arrebatadora história de amor entre Oswald de Andrade e a normalista Miss Cyclone em uma garçonnière no centro da moderna São Paulo do início do século XX.
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Fraülein, a professora de amor, é uma personagem marcante da Literatura. Uma heroína independente em um mundo masculino. Nesta história de sedução de um adolescente por uma mulher madura, Mário de Andrade capta como poucos os mistérios da alma feminina. Em Amar, verbo intransitivo – IDÍLIO, a alemã se ocupa da instrução dos filhos dos Sousa Costa. A pele rosada, os olhos pouco profundos, a mecha de cabelo loiro presa cem vezes e que torna a cair despertam, aos poucos, o desejo de Carlos. Logo, o menino se vê aprisionado por um sentimento para além do pouco interesse pelas aulas de alemão. O enredo arrancou aplausos de modernistas e críticas de conservadores em 1927.

4.2
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Um dos romances moçambicanos mais renomados do século XX, de autoria da vencedora do Prêmio Camões 2021.

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Média: 2.67 (3 votos)

No calor de um subúrbio carioca, um garoto cresce em meio a partidas de futebol, conversas sobre terreiros e o passado de seu pai, um médico na década de 1970. Na adolescência, ele recebe em casa um menino apadrinhado de seu pai, que morre tempos depois num episódio de agressão. O garoto cresce e esse passado o assombra diariamente, ditando os rumos de sua vida. Essa história, aparentemente banal, e desenvolvida com maestria ficcional e grandeza quase machadiana por Victor Heringer. Dono de uma prosa fluente e maleável, além de uma visão derrisória da vida, o autor demonstra pleno domínio na construção de cenas e personagens. E emociona o leitor com sua delicada percepção da realidade.

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Eis um poderoso mosaico impregnado de lirismo que Valter Hugo Mãe logrou com sua arrojada e harmoniosa escritura. Regalou-nos uma potente memória que se fez nossa. E, enquanto pautava feitos biográficos, desfiou o mistério da criação com a voz profética e imaterial do verbo. Ofertou-nos uma arte que o projeta para a grandeza literária." (Prefácio de Nélida Piñon)

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Itália, anos 1860, Risorgimento. Os fragmentados estados italianos estavam em um tormentoso processo de unificação, e o estabelecimento de uma nova ordem se mostrava cada vez mais pungente. Ambientado num universo intensamente melancólico e sensual e repleto de elementos de ironia e humor, O Leopardo acompanha a história de Dom Fabrizio Salina e de sua decadente família aristocrática siciliana – cujo brasão carrega inscrito o Leopardo que dá nome ao livro –, ameaçados pelas forças revolucionárias e democráticas durante os embates dessa transição. Nesse intrincado contexto, Salina precisa decidir como encarar as novas mudanças que se impõem tanto em sua vida pública como privada.

Clube de leitura: Pandemia impulsiona o aumento de grupos que discutem literatura

  • Publicado em 20/08/2021 - 12:00
  • por Admin
[Amanda Calazans, especial para o Estadão, 19/8/21]

Em uma quarta-feira à noite, cerca de 60 leitores se reuniram durante três horas em uma videochamada para discutir os livros italianos Dias de Abandono (2002, lançado aqui pela Biblioteca Azul), da festejada Elena Ferrante, e Laços (2014, editado pela Todavia), o contraponto de Domenico Starnone.

As mulheres pediam mais a palavra do que os sete homens presentes, que preferiam deixar seus comentários por escrito no chat da chamada. Acompanhada por alguns copos de vinho, a conversa coletiva misturava opiniões sobre os livros, histórias pessoais e referências a outras obras - que foram listadas ao final por um participante.

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Média: 4.00 (5 votos)
Mary Del Priore revela a trágica e fascinante história do herdeiro da família imperial escolhido para suceder o avô Dom Pedro II, último imperador do Brasil.
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Média: 4.00 (5 votos)

"Uma história sensível e delicada sobre uma jovem exposta à intolerância religiosa e ao lado obscuro da sociedade nigeriana." - J.M. Coetzee

4.5
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Dezessete contos interligados, em que o grande escritor egípcio recria o mundo de Sherazade num fascinante mosaico de dramas e dilemas com que os personagens de As mil e uma noites jamais sonharam.

Inspirado no clássico As mil e uma noites, o escritor egípcio Naguib Mahfouz utiliza os personagens e a atmosfera mágica da obra-prima da literatura árabe para criar uma fábula moderna.

4.2
Média: 4.20 (5 votos)
Uma das pedras de toque da ficção de Machado de Assis na história de Simão Bacamarte, que um dia sonhou catalogar a loucura humana.
4.6
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Quando retirei a faca da mala de roupas, embrulhada em um pedaço de tecido antigo e encardido, com nódoas escuras e um nó no meio, tinha pouco mais de sete anos. Minha irmã, Belonísia, que estava comigo, era mais nova um ano. Pouco antes daquele evento estávamos no terreiro da casa antiga, brincando com bonecas feitas de espigas de milho colhidas na semana anterior. Aproveitávamos as palhas que já amarelavam para vestir feito roupas nos sabugos. Falávamos que as bonecas eram nossas filhas, filhas de Bibiana e Belonísia.

3
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Publicado em 1915 como folhetim pelo jornal A Noite, este romance satírico de Lima Barreto reproduz de forma crítica o ambiente político do governo do marechal Hermes da Fonseca ao contar a história de Numa Pompílio de Castro.

Filho de um pequeno empregado e à custa de muito esforço, Numa fez-se bacharel em direito, embora não dispusesse de qualquer pendor ao estudo ou às letras jurídicas.

5
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Publicado originalmente em 1956, Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, a obra é um mergulho profundo na alma humana, capaz de retratar o amor, o sofrimento, a força, a violência e a alegria.

3.25
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"Um estudo assombroso sobre o amor em crise e uma mulher madura no limite de suas forças." - Robert McCrum, The Observer

4.2
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O passado remoto e o presente imediato se entrelaçam neste romance do escritor cubano Leonardo Padura. Em A transparência do tempo acompanhamos o já conhecido detetive Mario Conde em seu oitavo caso, o desaparecimento de uma estátua de uma virgem negra. Às vésperas de completar sessenta anos, cético em relação a seu país, Mario Conde assiste ao encolhimento da oferta de livros usados, cuja revenda vinha sendo seu ganha-pão dos últimos tempos. É então que um ex-colega de escola o procura e lhe oferece trabalho: recuperar a estátua de uma virgem negra que lhe fora roubada. Com o desenrolar das buscas, Conde vai percebendo que a peça é muito mais valiosa do que imaginava, tendo suas origens nos Pireneus catalães, de onde fora trazida por um jovem em fuga da guerra civil.

3.6
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Antes de Emma Bovary, antes de Anna Kariênina, existiu Julie.

Contrariando os conselhos do pai, ela julga-se apaixonada e decide se casar ainda muito jovem com um coronel do exército napoleônico. Em pouquíssimo tempo, descobre-se infeliz no casamento e na maternidade, presa a obrigações que não pretende abandonar. A isso se seguem as paixões por outros homens, e anuncia-se o destino trágico da protagonista. Mas A mulher de trinta anos não é a história particular de Julie, e sim a de alguém em quem convergem as contradições do que representava ser mulher no século XIX e, por extensão, as contradições da própria sociedade moderna. Com sua reputação de grande conhecedor do coração feminino, Balzac, que deveu sua formação às diversas mulheres mais velhas com quem se relacionou, aponta neste livro para a profundidade da alma que só pode vir da experiência.

4.166665
Média: 4.17 (6 votos)
Não é todo dia que aparece um elefante em nossa vida, muito menos chamado Salomão. Pois é este formoso e meigo paquiderme, nascido em Goa, transportado pelos mares a Portugal no século XVI, o herói da viagem que aqui se conta.

"Por muito incongruente que possa parecer...", assim começa o novo romance - ou conto, como ele prefere chamá-lo - de José Saramago, sobre a insólita viagem de um elefante chamado Salomão, que no século XVI cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. O episódio é verdadeiro. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d'Áustria, resolveu numa bela noite de 1551 oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos Quinto, nada menos que um elefante.

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